11/08/2006

CORTINA LÍRICA


Nos anos 1940, a Rádio Gazeta apresentava um manancial operístico . Com orquestra e elencos próprios, apresentava com freqüencia apresentações de óperas completas e concertos. Este é um cartaz de uma Cortina Lírica, do ano de 1947.

11/05/2006

ENNA, SICILIA

COM NICOLAI GEDDA


"OBERON", PARIS, 1954

UN BALLO IN MASCHERA


Sua atuação em Londres foi memorável. Cinqüenta anos depois, recebi um e-mail de uma pessoa que esteve presente, rememorando o acontecimento.

L'AMORE DI TREI RE, NO SCALA

COM CARLO MARIA GIULINI



MAESTRO CARLO MARIA GIULINI, ENTÃO EM INÍCIO DE CARREIRA, APÓS RÉCITA DE "LA VITA BREVE" NO SCALA, EM 24/2/1952.

ATUANDO AO LADO DO PAI DE CECILIA BARTOLI, EM BOLONHA



ANGELO BARTOLI

CONSTANTINA E "OBERON"

Em 12 de fevereiro deste ano comemoramos o cinqüentenário da apresentação da soprano paulista, Constantina Araújo (1922-1966) naquele que foi um dos principais papéis de sua curta carreira, o de Rezia, na ópera em 3 atos, “Oberon” (1826), de Karl Maria von Weber (1786-1826).
Foi a primeira encenação dessa ópera em Paris. A récita inicial era beneficente e o espetáculo contou com a presença do recém-empossado presidente da República Francesa, René Coty e esposa.
A direção de cena foi entregue a Maurice Lehmann, que se tornou conhecido por sua atuação como diretor de teatro, cinema e ópera. Os principais intérpretes foram: Constantina Araújo Nicolai Gedda, tenor sueco em início de carreira, Roger Bourdin e Denise Duval. A direção musical esteve a cargo do famoso regente André Cluytens.
Estavam previstas 4 récitas, no entanto, o sucesso foi tamanho que acabaram sendo realizadas 30 !
Constantina, que chegava em Paris carregada de êxitos em diversas capitais européias, foi recebida pela alta sociedade parisiense, em recepção à qual que estiveram presentes o presidente da delegação brasileira na UNESCO, várias personalidades brasileiras, críticos e músicos franceses, dentre os quais o compositor Florent Schmidt.
A crítica musical foi plena de elogios à soprano paulista.
O crítico e musicólogo René Dusmenil, assim se referiu em “Le Monde”, de 17/2/1954:
“A parte de “Rezia” goza da justificada reputação de ser uma das mais ingratas. Ela oferece três momentos essenciais e de caráter tão diferente, que é necessário uma cantora que disponha dos mais variados recursos para nela se mostrar perfeita: a visão, no primeiro ato , que é um murmúrio de suavidade e de ternura, a ária do segundo ato, com a maldição do oceano, toda de violência e desespero, e finalmente a cavatina do terceiro ato, repleta de lamentações ardentes. A sra. Constantina Araújo possui uma voz esplêndida e sabe usar dela para salientar todo o patético, toda a sedução da personagem.”-
O semanário “Arts” opinou:
“Deixamos para o fim a admirável soprano dramática Constantina Araújo. Pode-se dizer que é a cantora de teatro mais completa que se ouviu em Paris depois de Kirsten Flagstad. Riqueza de uma voz imensa, que ela conduz com técnica muito segura, quer quanto à agilidade, quer quanto ao volume, sensibilidade dramática, prestígio de uma presença cênica inegável, tudo concorre para torná-la a verdadeira revelação do espetáculo.” (transcrito de O Estado de S. Paulo, 4/4/54)
Marc Pincherie, salientou:

“As vozes são belas . A da Srta Constantina Araújo é de brilhantismo magnífico, volumosa e brava. Apenas deixou a desejar nos meio-tons, onde precisamente se salienta seu parceiro Nicolai Gedda.” (transcrito de O Estado de S. Paulo, ‘rt

O CUMPRIMENTO DO PRESIDENTE FRANCÊS



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10/29/2006

ARENA DI VERONA CALENDARIO DEGLI SPETTAGOLI


XXIX STAGIONE LIRICA
22 LUGLIO 13 AGOSTO 1951
AIDA - MANON - ANDREA CHENIER

9/15/2006

OTELO - PORTO ALEGRE (1947)

TEATRO SÃO PEDRO - PORTO ALEGRE
TEMPORADA LÍRICA OFICIAL DO ESTADO
SEXTA FEIRA, 18 DE JULHO DE 1947

OTHELO, de Giuseppe Verdi

Othelo Giulio Lucchiari
Yago Paolo Ansaldi
Desdemona Constantina Araújo
Maestro Diretor Carlos Estrada

O crítico Paulo Antônio assim se referiu na Folha da Tarde:

“Como Desdemona, a soprano Constantina Araújo. Foi uma estréia auspiciosa. Tem boa presença cênica e uma voz de excelente qualidade: grato timbre, lindos pianíssimos (como na Ave Maria), centro bem trabalhado e graves sonoros. É uma artista lírica de futuro e o sucesso que obteve recentemente em São Paulo, na temporada de verão, se justifica plenamente.”
Uma revelação tocante foi a arte brasileira de Constantina Araújo, que nos veio de São Paulo, como Paulo Ansaldi. No perene triângulo dramático figurou essa soprano Desdemona de maneira expressiva. Personalidade moça, e de visão agradável, a nobre soprano dramatizou com capricho e cantou de modo a valorizar com gosto toda a linhagem vocal da soprano. É uma cantora que se impõe pela maneira com que se há no plano teatral e musical. No último ato, a intérprete recebeu a consagração pública como o barítono e o tenor no decurso da ópera.”

Jornal do Dia 22/7/1947

“A outra figura que merece um destaque muito especial é a soprano brasileira , senhorinha Constantina Araújo, vinda de São Paulo para cantar a “Desdemona” Ótima figura, artista apreciabilíssima e vocalmente uma surpresa agradável como poucas, a senhorinha Araújo encantou o público de sexta-feira. Voz de timbre dramático acentuado, e de excelente escola, acreditamos que raras vezes terá a nossa platéia ensejo de encontrar melhor Desdemona. A “Ave Maria” e a Preghiera” do último ato, cantadas a meia voz, estiveram soberbas.

2/10/2006

CONSTANTINA ARAÚJO NO RIO DE JANEIRO

A AIDA DE CONSTANTINA ARAÚJO NO RIO DE JANEIRO – MEIO SÉCULO.

Em 1950, não tendo sido escalada para a temporada lírica em São Paulo, Constantina Araújo tentou ser ouvida pelos responsáveis pela temporada do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Não conseguiu uma audição sequer.
Em entrevista concedida à Tribuna da Imprensa (15-10-1954), Constantina declarou:

O maestro Ruberti e Barreto Pinto, quando me apresentei, naquele ano (1950), para um este, nem se quiseram dar ao trabalho de me ouvir. Mandaram-me embora, simplesmente. Naquele tempo eu já era conhecida, pois havia atuado em São Paulo, no rádio , em concertos e na ópera, com bastante sucesso.

O que se seguiu já é publico, embarcou para a Itália em busca das oportunidades que em sua terra lhe eram negadas.
O êxito obtido em sua apresentação no papel-título de Aída, em Modena, abriu-lhe as portas de outros teatros italianos, inclusive do Scala, onde estreou em fevereiro de 1951.
Tornou-se uma das grandes intérpretes desse papel no curto espaço de sua carreira, fato esse reconhecido por todos os críticos e comentaristas europeus que a ouviram.
Os paulistas já tinham tido a oportunidade de vê-la nesse papel, na temporada de 1948.
No Rio de Janeiro, essa ocasião apresentou-se no encerramento da temporada de 1954, quando foram realizadas duas récitas de AIDA, tendo no elenco além de Constantina, Mario Del Monaco, Maria Henriques, Enzo Mascheri e Giuseppe Modesti.
Constantina estava no auge de sua carreira. Na ocasião, estava fazendo o papel Rezia, no Oberon , de Weber, na Ópera de Paris.
Os jornais cariocas registraram seu desempenho:

Diário de Notícias – Mário Cabral

Sabendo dominar um justificável nervosismo inicia, ela, já no monólogo que finaliza o primeiro quadro, mostrou magnífica escola vocal e uma excelente linha interpretativa. Sua voz é potente, sem estridências. Afinação,musicalidade, um timbre aveludado deram-lhe atributos artísticos que constituem o chamado bel canto.Quem assim se revela deve ser uma excelente intérprete da música de câmera, e é de se lamentar que, nessa rápida permanência, ela não nos possa proporcionar uma audição em concerto.
(...) Constantina Araújo, que no dueto final, O terra addio (...), manteve até o fim o alto nível artístico de sua interpretação.

JORNAL DO BRASIL

A voz é bela e de densidade e volume que lhe asseguram lugar entre os tão raros sopranos dramáticos da cena lírica atual. Boa técnica e quase sempre um fraseado justo. Por vezes – única ressalva – algum agudo um tanto fraco, e que se diria infantil, e alguma tremura ocasional na mesma tessitura. Fica isso registrado para ficar mais à vontade ainda para louvar essa artista, sem dúvida de plano internacional e não somente por ter cantado no estrangeiro. O Brasil faz, com ela, uma aquisição de verdadeira significação, que muito nos alegra.
Não me refiro somente à cantora: a atriz é também segura e graciosa, a apresentação extremamente simpática.
Foi aplaudida como devia, quer dizer com insistência e cordialidade.

CORREIO DA MANHÃ – EURICO NOGUEIRA FRANÇA

É Constantina Araújo um soprano dramático e uma intérprete da cena lírica de soberbas qualidades. Não direi que se trata de uma cantora perfeita,já, mas pouco lhe falta: seu registro grave se vela, ligeiramente, às vezes, em passagens rápidas; e de um modo geral pode ainda robustecer seus dons. Mais do que tudo isso, porém, a presença de Constantina Araújo, como cantora e atriz, é marcante, no palco. (...) e, depois a voz, de generoso timbre escuro no centro e no grave, límpida na região aguda, sempre bela e musicalmente utilizada, além de servira uma dicção impecável – criaram uma Ainda muito louvável, cuja arte vocal logo se desdobrou em L insana parola, do primeiro quadro.

DIÁRIO CARIOCA – ANTÔNIO BENTO (10/10/1954)

(...dominados os nervos, o soprano brasileiro deu uma prova irrecusável de seus dons artísticos fascinando a platéia pela sua bela interpretação da ária (O cielo azzurro) do 3º ato. Timbre quente, musicalidade, segurança e limpidez na emissão dos agudos, sua voz possui na verdade um encanto persuasivo. Seu jogo cênico também se fez notar , explicando a razão de seus triunfos no Scala de Milão ou na Ópera de Paris, onde o êxito é coisa rara.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS – D’or (10/10/1954)
(.,.).
Sua voz é bonita e fácil. Pareceu-nos, todavia, algumas vezes trêmula, fato que, a princípio, levamos em conta de uma natural emoção.
Não cremos que ela seja um perfeito soprano-dramático. Os graves são escuros, mas no registro agudo as notas se fazem ouvir brancas e leves, impondo classificá-la como lírico-dramático. Talvez por isso, por lhe faltar uma cor vocal mais quente, seu canto nem sempre atinja a emoção desejada nos transes em que o papel se reveste de lancinante intensidade.
Sua primeira ária, cantada com expressão constituiu o ponto alto do seu desempenho, que nos demais atos decaiu de certa forma, aparentando a jovem artista um possível cansaço.
Seus agudos são bem emitidos, firmes e sustentados e uma apreciável igualdade se observa em seus vários registros, (...).
Em cena, deu-nos ela uma princesa etíope desembaraçada e senhora de si. E conquanto não chegasse aos extremos de uma teatralização convincente, soube, principalmente, impressionar pelo jogo da máscara, pela força do olhar, revelando a exaltação e a angústia de um amor recalcado e proibido.
Sua morte no subterrâneo, entre os braços de Radamés, teria tido, não duvidamos, uma interpretaçãomuito mais ajustada ao enredo se lhe fosse permitido abrandar o canto, debilitando a voz, como quem chegava ao fim totalmente depauperada.
Não lhe foi possível,porém, mobilizar esses recursos expressivos, contracenando com um tenor como Mario Del Monaco, incapaz, como mais uma vez provou, de usar, senão o pleno canto, as notas fortes e extensas, em que é mestre e com as quais conseguiu dominar o auditório.


O JORNAL – AYRES DE ANDRADE (10/10/1954)


(....) Constantina Araujo não decepcionou. Nenhuma cantora lírica brasileira, nestes últimos tempos, à exceção de Bidu Sayão, dispõe de um material artístico tão generoso, tão indicado a proporcionar à sua dona um renome internacional. A cantora possui voz extensa e brilhante: seu timbre cativa pela pureza: sua expressão denota o frescor peculiar ao intérprete ainda não contaminado pelos efeitos de habilidade profissional. Sua presença é atraente: seus gestos e atitudes têm a graça natural e insinuante da juventude. (...)..
Essa foi a última apresentação de Constantina Araújo, no Brasil.
No ano seguinte (1955), na reabertura do Teatro Municipal de São Paulo após reforma, foi escalada a soprano italiana Antonieta Stela para cantar em “Lo Schiavo”, ópera que integrava o repertório de Constantina.
A soprano faleceu em 1966.

CONSTANTINA ARAÚJO E A ÓPERA DE PARIS

Em 12 de fevereiro de 1954, Constantina Araújo (1922-1966), subia ao palco do Teatro Nacional da Ópera (Palais Garnier) para interpretar aquele que foi um dos principais papéis de sua carreira, o de “Rezia”, na ópera em 3 atos, “Oberon” (1826), de Karl Maria von Weber (1786-1826).
A récita inicial foi beneficente e o espetáculo contou com a presença do recém-empossado presidente da República Francesa, René Coty e esposa. A direção de cena esteve entregue a Maurice Lehmann, que se tornou conhecido por sua atuação como diretor de teatro, cinema e ópera. Os principais intérpretes foram: Constantina Araújo, o tenor sueco Nicolai Gedda, em início de carreira, Roger Bourdin e Denise Duval. No comando da orquestra, o famoso regente francês André Cluytens.
Estavam previstas 4 récitas, no entanto, o sucesso foi tamanho que acabaram sendo realizadas 30!
Constantina, que chegava a Paris carregada de êxitos obtidos em diversas capitais européias, foi recebida pela alta sociedade parisiense, em recepção à qual estiveram presentes o presidente da delegação brasileira na UNESCO, várias personalidades brasileiras, críticos e músicos franceses, dentre os quais o compositor Florent Schmidt
A crítica musical foi plena de elogios ao soprano paulista, dentro os quais destacamos:

“A parte de “Rezia” goza da justificada reputação de ser uma das mais ingratas. Ela oferece três momentos essenciais e de caráter tão diferentes, que é necessário uma cantora que disponha dos mais variados recursos para nela se mostrar perfeita: a visão, no primeiro ato, que é um murmúrio de suavidade e de ternura, a ária do segundo ato, com a maldição do oceano, toda de violência e desespero, e finalmente a cavatina do terceiro ato, repleta de lamentações ardentes. A Sra. Constantina Araújo possui uma voz esplêndida e sabe usar dela para salientar todo o patético, toda a sedução da personagem.” - Crítico e musicólogo René Dusmenil, em “Le Monde”, de 17/2/1954(transcrito de O Estado de S. Paulo)


“Deixamos para o fim a admirável soprano dramática Constantina Araújo. Pode-se dizer que é a cantora de teatro mais completa que se ouviu em Paris depois de Kirsten Flagstad. Riqueza de uma voz imensa, que ela conduz com técnica muito segura, quer quanto à agilidade, quer quanto ao volume, sensibilidade dramática, prestígio de uma presença cênica inegável, tudo concorre para torná-la a verdadeira revelação do espetáculo.” Semanário “Arts” - (transcrito de O Estado de S. Paulo, 4/4/54)

“As vozes são belas. A da Srta Constantina Araújo é de brilhantismo magnífico, volumosa e brava. Apenas deixou a desejar nos meio-tons, onde precisamente se salienta seu parceiro Nicolai Gedda.” - Marc Pincherie - (transcrito de "O Estado de S. Paulo").

2/06/2006

CASTELLO DI LOMBARDIA


  • Entre outros, cantaram nessa temporada:

Constantina Araujo

Maria Caniglia

Margherita Carosio

Elena Nicolai

Giulietta Simionato

Antonieta Stella

Boris Cristoff

Mario Filippeschi

Giacinto Prandelli

1/25/2006

OBERON


Capa de revista francesa de música, em 1954, quando da montagem de "Oberon", no Palais Garnier - Paris, ao lado de Nicolai Gedda.

ATUAÇÕES DE CONSTANTINA ARAUJO

1/22/2006

Como "Desdemona", em Porto Alegre (1947)

TEATRO SÃO PEDRO
TEMPORADA LÍRICA OFICIAL DO ESTADO
SEXTA FEIRA, 18 DE JULHO DE 1947
OTHELO, de Giuseppe Verdi
Othelo Giulio Lucchiari
Yago Paolo Ansaldi
Desdemona Constantina Araújo
Maestro Diretor Carlos Estrada

O crítico Paulo Antônio assim se referiu na Folha da Tarde:
“Como Desdemona, a soprano Constantina Araújo. Foi uma estréia auspiciosa. Tem boa presença cênica e uma voz de excelente qualidade: grato timbre, lindos pianíssimos (como na Ave Maria), centro bem trabalhado e graves sonoros. É uma artista lírica de futuro e o sucesso que obteve recentemente em São Paulo, na temporada de verão, se justifica plenamente.”

“Uma revelação tocante foi a arte brasileira de Constantina Araújo, que nos veio de São Paulo, como Paulo Ansaldi. No perene triângulo dramático figurou essa soprano Desdemona de maneira expressiva. Personalidade moça, e de visão agradável, a nobre soprano dramatizou com capricho e cantou de modo a valorizar com gosto toda a linhagem vocal da soprano. É uma cantora que se impõe pela maneira com que se há no plano teatral e musical. No último ato, a intérprete recebeu a consagração pública como o barítono e o tenor no decurso da ópera.”

"Correio do Povo"


A outra figura que merece um destaque muito especial é a soprano brasileira , senhorinha Constantina Araújo, vinda de São Paulo para cantar a “Desdemona” Ótima figura, artista apreciabilíssima e vocalmente uma surpresa agradável como poucas, a senhorinha Araújo encantou o público de sexta-feira. Voz de timbre dramático acentuado, e de excelente escola, acreditamos que raras vezes terá a nossa platéia ensejo de encontrar melhor Desdemona. A “Ave Maria” e a Preghiera” do último ato, cantadas a meia voz, estiveram soberbas.
Jornal do Dia 22/71947

Como Santuzza (1948, 1949)



GINÁSIO DO PACAEMBU
16/10/1948
CAVALLERIA RUSTICANA
Beniamino Gigli, Anna Raone, Constantina Araújo e Paolo Ansaldi Orquestra Sinfônica Municipal – Reg. Eduardo De Guarnieri


THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO
TEMPORADA NACIONAL LÍRICA DE 1948
CAVALLERIA RUSTICANA, ópera em 1 ato de MASCAGNI
S. PAULO, 19 de agosto de 1948

SANTUZZA Constantina Araújo
TURIDDU Giulio Lucchiari
LOLA Noemy Lamier
ALFIO Guilherme Damiano
LUCIA Tina Magnoni
REGENTE Armando Belardi
“Constantina Araújo, em “Santuzza” soube emprestar todo colorido daquele difícil papel, sobressaindo-se nas fases dramáticas em atitudes e gestos bem estudados e com uma dicção clara e distinta.”
DIÁRIO POPULAR

THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO
TEMPORADA LÍRICA OFICIAL
29 de outubro de 1949
CAVALLERIA RUSTICANA

SANTUZZA CONSTANTINA ARAUJO
TURIDDU ASSIS PACHECO
ALFIO GUILHERME DAMIANO
LOLA NOEMI LAMIER
LUCIA ASSUNTA MAGNOLI
“No difícil papel de “Santuzza”, saiu-se maravilhosamente bem a nossa conhecida Constantina Araújo. Dona de impecável timbre de voz, Constantina que se acha em plena juventude, está fadada a ser um soprano dramático de renome internacional.”

AIDA, em Trieste.


Este é um trecho da crítica de sua apresentação em Trieste (1953), no papel título de AIDA.

Na Itália.


Essa é a única foto em cores de Constantina. Foi tirada na Itália, onde vivia.

No Rio, em 1954.


Em outubro de 1954, após quatros anos ausente do país, Constantina retorna para uma apresentação de AIDA, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, tendo ao seu lado o companheiro de tantas récitas, Mário Del Monaco.
No camarim, ela posa entre as inúmeras flores que lhe foram oferecidas.

CONSTANTINA ARAUJO




















Constantina Araújo nasceu na cidade de São Paulo, em 28 de maio de 1922,filha de português e de uma napolitana. Tendo demonstrado desde criança vocação para o canto, foi matriculada no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde estudou com Francesco Murino.
Sua primeira experiência como profissional deu-se na antiga Rádio Cultura. Dali para a Rádio Gazeta, emissora que possuía orquestra própria, promovia e transmitia concertos ao vivo, foi um pulo.
A bela voz de soprano lírico spinto logo despertou a atenção dos organizadores das temporadas do Teatro Municipal de São Paulo, onde Constantina estreou, em 1947, fazendo o papel de “Leonora” na ópera Il Trovatore de Verdi.
Em todas as ocasiões que se apresentou nessa casa de ópera, seu desempenho foi elogiado pela crítica e encantou o público. Lá cantou, ainda, em Aída, Lo Schiavo, Cavalleria Rusticana e La Bohème, sempre fazendo o principal papel feminino e tendo ao seu lado cantores de renome internacional como Mário Del Monaco, Gigli, Barbieri e outros.
Apresentou-se também em Porto Alegre, no ano de 1947, nas óperas Otello, Il Trovatore e Aída.
Em 1950, devido a rivalidades muito comuns nos meios artísticos, foi despedida da Rádio Gazeta e rejeitada para as temporadas líricas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Com as portas fechadas no Brasil, muniu-se de “cara e coragem” e foi para a Europa, mais precisamente para Milão, na época um dos principais centros operísticos.
Quarenta dias após a sua chegada (15/11/1950), candidatou-se a uma substituição de última hora – a de protagonista de Aída, na cidade de Modena. Foi seu primeiro sucesso:
“Aida”, impersonata da Constantina Araujo, ha aumentato la sorpresa del pubblico, lasciando veramente un vivo entusiasmo in tutti gli spettatori, che l’hanno applaudita con passione, soprattutto per l’efficace dosatura imposta ai suoi davvero notevoli mezzi canori, denotando cosi una seria preparazione dello spartito verdiano”
A indisposição de uma cantora levou Constantina para o La Fenice, de Veneza, onde também fez Aída com êxito.
O Teatro da cidade de Reggio-Emilia, incluiu Aida em sua temporada de 195, dando o papel para Constantina:
“(...) il trionfo di questa cantante, la cui voce di smalto nitidissimo e la efficacia scenica, che ben si avvale di una gura stupendamente adatta al personaggio hanno incantato e soggiogato i critici più pretenziosi.”
Após esse novo sucesso, surgiu a grande oportunidade.

O Alla Scala de Milão procurava um soprano para uma nova montagem de Aída em comemoração aos cinqüenta anos da morte de Giuseppe Verdi, já que tinha havido um desencontro entre Renata Tebaldi e o maestro Victor de Sabata. Constantina, credenciada por seus sucessos anteriores, apresentou-se ao grande maestro Victor de Sabata para uma audição. Dentre seis sopranos que foram ouvidos, foi a escolhida.
Em 20 de fevereiro de 1951, Constantina apresentava-se no palco da mais famosa casa de ópera da Europa, tendo ao seu lado Mario Del Monaco, Fedora Barbieri e Ugo Savarese.
“(...) abbiamo avuto la surpresa di scropire una giovane sudamericana, Constantina Araujo, che nella parte di Aida si è rivelata superba interprete, dotada de belissima voce, dosata com intelligenze, sicura nella intonazione, e che si è fatta ammirare anche per la sua grazia.”
O “Alla Scala” abriu-lhe outras portas: Bari, Verona, Londres, Trieste, Montecarlo, Paris, Augsburg, Lisboa, Genova, Nápoles, Bolzano, Bolonha, Carpi, Salsomaggiore e outras cidades.
Seu repertório incluía Aída, Un Ballo in Maschera, I Vespri Siciliani, Ernani La Vita Breve, Mefistofole, Madama Butterfly, L"Amore dei tre Re, Oberon e Cavalleria Rusticana.
Em 1954 (outubro), Constantina foi convidada a apresentar-se no Rio de Janeiro, onde fez Aída, seu principal papel e o que cantou o maior número de vezes. Em 1954, apesar do sucesso internacional, as portas do Teatro Municipal de São Paulo ainda continuavam fechadas para Constantina Araújo.. Numa montagem de Lo Schiavo, de Carlos Gomes, em comemoração ao 4º Centenário da Cidade de São Paulo, o Teatro trouxe Antonieta Stella, soprano italiano, para fazer o principal papel feminino dessa ópera.
Em 1966, Constantina veio para São Paulo a fim fazer uma pequena intervenção cirúrgica. Quatorze dias após a cirurgia, faleceu, repentinamente, vítima de embolia pulmonar Detentora de tão bela carreira, Constantina Araújo é, sem dúvida, motivo de orgulho nacional.
Em 2001, foi lançada uma gravação que Constantina fez ao lado de Mario Del Monaco, Cesare Siepi e Mario Sereni, sob a regência de Fernando Previtali, para uma transmissão radiofônica da RAI, em 1958, da ópera Ernani de Giuseppe Verdi. Trata-se de um documento raro que atesta a beleza e a qualidade de seu registro.