11/08/2006

CORTINA LÍRICA


Nos anos 1940, a Rádio Gazeta apresentava um manancial operístico . Com orquestra e elencos próprios, apresentava com freqüencia apresentações de óperas completas e concertos. Este é um cartaz de uma Cortina Lírica, do ano de 1947.

11/05/2006

ENNA, SICILIA

COM NICOLAI GEDDA


"OBERON", PARIS, 1954

UN BALLO IN MASCHERA


Sua atuação em Londres foi memorável. Cinqüenta anos depois, recebi um e-mail de uma pessoa que esteve presente, rememorando o acontecimento.

L'AMORE DI TREI RE, NO SCALA

COM CARLO MARIA GIULINI



MAESTRO CARLO MARIA GIULINI, ENTÃO EM INÍCIO DE CARREIRA, APÓS RÉCITA DE "LA VITA BREVE" NO SCALA, EM 24/2/1952.

ATUANDO AO LADO DO PAI DE CECILIA BARTOLI, EM BOLONHA



ANGELO BARTOLI

CONSTANTINA E "OBERON"

Em 12 de fevereiro deste ano comemoramos o cinqüentenário da apresentação da soprano paulista, Constantina Araújo (1922-1966) naquele que foi um dos principais papéis de sua curta carreira, o de Rezia, na ópera em 3 atos, “Oberon” (1826), de Karl Maria von Weber (1786-1826).
Foi a primeira encenação dessa ópera em Paris. A récita inicial era beneficente e o espetáculo contou com a presença do recém-empossado presidente da República Francesa, René Coty e esposa.
A direção de cena foi entregue a Maurice Lehmann, que se tornou conhecido por sua atuação como diretor de teatro, cinema e ópera. Os principais intérpretes foram: Constantina Araújo Nicolai Gedda, tenor sueco em início de carreira, Roger Bourdin e Denise Duval. A direção musical esteve a cargo do famoso regente André Cluytens.
Estavam previstas 4 récitas, no entanto, o sucesso foi tamanho que acabaram sendo realizadas 30 !
Constantina, que chegava em Paris carregada de êxitos em diversas capitais européias, foi recebida pela alta sociedade parisiense, em recepção à qual que estiveram presentes o presidente da delegação brasileira na UNESCO, várias personalidades brasileiras, críticos e músicos franceses, dentre os quais o compositor Florent Schmidt.
A crítica musical foi plena de elogios à soprano paulista.
O crítico e musicólogo René Dusmenil, assim se referiu em “Le Monde”, de 17/2/1954:
“A parte de “Rezia” goza da justificada reputação de ser uma das mais ingratas. Ela oferece três momentos essenciais e de caráter tão diferente, que é necessário uma cantora que disponha dos mais variados recursos para nela se mostrar perfeita: a visão, no primeiro ato , que é um murmúrio de suavidade e de ternura, a ária do segundo ato, com a maldição do oceano, toda de violência e desespero, e finalmente a cavatina do terceiro ato, repleta de lamentações ardentes. A sra. Constantina Araújo possui uma voz esplêndida e sabe usar dela para salientar todo o patético, toda a sedução da personagem.”-
O semanário “Arts” opinou:
“Deixamos para o fim a admirável soprano dramática Constantina Araújo. Pode-se dizer que é a cantora de teatro mais completa que se ouviu em Paris depois de Kirsten Flagstad. Riqueza de uma voz imensa, que ela conduz com técnica muito segura, quer quanto à agilidade, quer quanto ao volume, sensibilidade dramática, prestígio de uma presença cênica inegável, tudo concorre para torná-la a verdadeira revelação do espetáculo.” (transcrito de O Estado de S. Paulo, 4/4/54)
Marc Pincherie, salientou:

“As vozes são belas . A da Srta Constantina Araújo é de brilhantismo magnífico, volumosa e brava. Apenas deixou a desejar nos meio-tons, onde precisamente se salienta seu parceiro Nicolai Gedda.” (transcrito de O Estado de S. Paulo, ‘rt

O CUMPRIMENTO DO PRESIDENTE FRANCÊS



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10/29/2006

ARENA DI VERONA CALENDARIO DEGLI SPETTAGOLI


XXIX STAGIONE LIRICA
22 LUGLIO 13 AGOSTO 1951
AIDA - MANON - ANDREA CHENIER

9/15/2006

OTELO - PORTO ALEGRE (1947)

TEATRO SÃO PEDRO - PORTO ALEGRE
TEMPORADA LÍRICA OFICIAL DO ESTADO
SEXTA FEIRA, 18 DE JULHO DE 1947

OTHELO, de Giuseppe Verdi

Othelo Giulio Lucchiari
Yago Paolo Ansaldi
Desdemona Constantina Araújo
Maestro Diretor Carlos Estrada

O crítico Paulo Antônio assim se referiu na Folha da Tarde:

“Como Desdemona, a soprano Constantina Araújo. Foi uma estréia auspiciosa. Tem boa presença cênica e uma voz de excelente qualidade: grato timbre, lindos pianíssimos (como na Ave Maria), centro bem trabalhado e graves sonoros. É uma artista lírica de futuro e o sucesso que obteve recentemente em São Paulo, na temporada de verão, se justifica plenamente.”
Uma revelação tocante foi a arte brasileira de Constantina Araújo, que nos veio de São Paulo, como Paulo Ansaldi. No perene triângulo dramático figurou essa soprano Desdemona de maneira expressiva. Personalidade moça, e de visão agradável, a nobre soprano dramatizou com capricho e cantou de modo a valorizar com gosto toda a linhagem vocal da soprano. É uma cantora que se impõe pela maneira com que se há no plano teatral e musical. No último ato, a intérprete recebeu a consagração pública como o barítono e o tenor no decurso da ópera.”

Jornal do Dia 22/7/1947

“A outra figura que merece um destaque muito especial é a soprano brasileira , senhorinha Constantina Araújo, vinda de São Paulo para cantar a “Desdemona” Ótima figura, artista apreciabilíssima e vocalmente uma surpresa agradável como poucas, a senhorinha Araújo encantou o público de sexta-feira. Voz de timbre dramático acentuado, e de excelente escola, acreditamos que raras vezes terá a nossa platéia ensejo de encontrar melhor Desdemona. A “Ave Maria” e a Preghiera” do último ato, cantadas a meia voz, estiveram soberbas.

5/28/2006

4/09/2006

AIDA EM MONTE CARLO


Com Ebbe Stignani.

Flores no camarim


Recebendo flores após êxito como Aida (Scala, 1951)

AIDA




Sendo maquiada para entrar em cena, 1951 (Scala).

2/10/2006

CONSTANTINA ARAÚJO NO RIO DE JANEIRO

A AIDA DE CONSTANTINA ARAÚJO NO RIO DE JANEIRO – MEIO SÉCULO.

Em 1950, não tendo sido escalada para a temporada lírica em São Paulo, Constantina Araújo tentou ser ouvida pelos responsáveis pela temporada do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Não conseguiu uma audição sequer.
Em entrevista concedida à Tribuna da Imprensa (15-10-1954), Constantina declarou:

O maestro Ruberti e Barreto Pinto, quando me apresentei, naquele ano (1950), para um este, nem se quiseram dar ao trabalho de me ouvir. Mandaram-me embora, simplesmente. Naquele tempo eu já era conhecida, pois havia atuado em São Paulo, no rádio , em concertos e na ópera, com bastante sucesso.

O que se seguiu já é publico, embarcou para a Itália em busca das oportunidades que em sua terra lhe eram negadas.
O êxito obtido em sua apresentação no papel-título de Aída, em Modena, abriu-lhe as portas de outros teatros italianos, inclusive do Scala, onde estreou em fevereiro de 1951.
Tornou-se uma das grandes intérpretes desse papel no curto espaço de sua carreira, fato esse reconhecido por todos os críticos e comentaristas europeus que a ouviram.
Os paulistas já tinham tido a oportunidade de vê-la nesse papel, na temporada de 1948.
No Rio de Janeiro, essa ocasião apresentou-se no encerramento da temporada de 1954, quando foram realizadas duas récitas de AIDA, tendo no elenco além de Constantina, Mario Del Monaco, Maria Henriques, Enzo Mascheri e Giuseppe Modesti.
Constantina estava no auge de sua carreira. Na ocasião, estava fazendo o papel Rezia, no Oberon , de Weber, na Ópera de Paris.
Os jornais cariocas registraram seu desempenho:

Diário de Notícias – Mário Cabral

Sabendo dominar um justificável nervosismo inicia, ela, já no monólogo que finaliza o primeiro quadro, mostrou magnífica escola vocal e uma excelente linha interpretativa. Sua voz é potente, sem estridências. Afinação,musicalidade, um timbre aveludado deram-lhe atributos artísticos que constituem o chamado bel canto.Quem assim se revela deve ser uma excelente intérprete da música de câmera, e é de se lamentar que, nessa rápida permanência, ela não nos possa proporcionar uma audição em concerto.
(...) Constantina Araújo, que no dueto final, O terra addio (...), manteve até o fim o alto nível artístico de sua interpretação.

JORNAL DO BRASIL

A voz é bela e de densidade e volume que lhe asseguram lugar entre os tão raros sopranos dramáticos da cena lírica atual. Boa técnica e quase sempre um fraseado justo. Por vezes – única ressalva – algum agudo um tanto fraco, e que se diria infantil, e alguma tremura ocasional na mesma tessitura. Fica isso registrado para ficar mais à vontade ainda para louvar essa artista, sem dúvida de plano internacional e não somente por ter cantado no estrangeiro. O Brasil faz, com ela, uma aquisição de verdadeira significação, que muito nos alegra.
Não me refiro somente à cantora: a atriz é também segura e graciosa, a apresentação extremamente simpática.
Foi aplaudida como devia, quer dizer com insistência e cordialidade.

CORREIO DA MANHÃ – EURICO NOGUEIRA FRANÇA

É Constantina Araújo um soprano dramático e uma intérprete da cena lírica de soberbas qualidades. Não direi que se trata de uma cantora perfeita,já, mas pouco lhe falta: seu registro grave se vela, ligeiramente, às vezes, em passagens rápidas; e de um modo geral pode ainda robustecer seus dons. Mais do que tudo isso, porém, a presença de Constantina Araújo, como cantora e atriz, é marcante, no palco. (...) e, depois a voz, de generoso timbre escuro no centro e no grave, límpida na região aguda, sempre bela e musicalmente utilizada, além de servira uma dicção impecável – criaram uma Ainda muito louvável, cuja arte vocal logo se desdobrou em L insana parola, do primeiro quadro.

DIÁRIO CARIOCA – ANTÔNIO BENTO (10/10/1954)

(...dominados os nervos, o soprano brasileiro deu uma prova irrecusável de seus dons artísticos fascinando a platéia pela sua bela interpretação da ária (O cielo azzurro) do 3º ato. Timbre quente, musicalidade, segurança e limpidez na emissão dos agudos, sua voz possui na verdade um encanto persuasivo. Seu jogo cênico também se fez notar , explicando a razão de seus triunfos no Scala de Milão ou na Ópera de Paris, onde o êxito é coisa rara.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS – D’or (10/10/1954)
(.,.).
Sua voz é bonita e fácil. Pareceu-nos, todavia, algumas vezes trêmula, fato que, a princípio, levamos em conta de uma natural emoção.
Não cremos que ela seja um perfeito soprano-dramático. Os graves são escuros, mas no registro agudo as notas se fazem ouvir brancas e leves, impondo classificá-la como lírico-dramático. Talvez por isso, por lhe faltar uma cor vocal mais quente, seu canto nem sempre atinja a emoção desejada nos transes em que o papel se reveste de lancinante intensidade.
Sua primeira ária, cantada com expressão constituiu o ponto alto do seu desempenho, que nos demais atos decaiu de certa forma, aparentando a jovem artista um possível cansaço.
Seus agudos são bem emitidos, firmes e sustentados e uma apreciável igualdade se observa em seus vários registros, (...).
Em cena, deu-nos ela uma princesa etíope desembaraçada e senhora de si. E conquanto não chegasse aos extremos de uma teatralização convincente, soube, principalmente, impressionar pelo jogo da máscara, pela força do olhar, revelando a exaltação e a angústia de um amor recalcado e proibido.
Sua morte no subterrâneo, entre os braços de Radamés, teria tido, não duvidamos, uma interpretaçãomuito mais ajustada ao enredo se lhe fosse permitido abrandar o canto, debilitando a voz, como quem chegava ao fim totalmente depauperada.
Não lhe foi possível,porém, mobilizar esses recursos expressivos, contracenando com um tenor como Mario Del Monaco, incapaz, como mais uma vez provou, de usar, senão o pleno canto, as notas fortes e extensas, em que é mestre e com as quais conseguiu dominar o auditório.


O JORNAL – AYRES DE ANDRADE (10/10/1954)


(....) Constantina Araujo não decepcionou. Nenhuma cantora lírica brasileira, nestes últimos tempos, à exceção de Bidu Sayão, dispõe de um material artístico tão generoso, tão indicado a proporcionar à sua dona um renome internacional. A cantora possui voz extensa e brilhante: seu timbre cativa pela pureza: sua expressão denota o frescor peculiar ao intérprete ainda não contaminado pelos efeitos de habilidade profissional. Sua presença é atraente: seus gestos e atitudes têm a graça natural e insinuante da juventude. (...)..
Essa foi a última apresentação de Constantina Araújo, no Brasil.
No ano seguinte (1955), na reabertura do Teatro Municipal de São Paulo após reforma, foi escalada a soprano italiana Antonieta Stela para cantar em “Lo Schiavo”, ópera que integrava o repertório de Constantina.
A soprano faleceu em 1966.